• b-facebook
Please reload

PROCURE POR TAGS: 

02.01.2019

17.12.2018

01.10.2018

Please reload

POSTS RECENTES: 

SIGA

  • Facebook Clean Grey
  • Twitter Clean Grey
  • Instagram Clean Grey

Sou professora, sou cientista do Turismo

 

           Erguer a bandeira do magistério nos dias de hoje tem sido tarefa árdua. Já imaginou erguer as bandeiras do ensino e da pesquisa ao mesmo tempo? É para poucos, sem dúvidas. O país está falido! E não, não me refiro a economia, aos dividendos, aceno para a falência da capacidade de reconhecer e se reconhecer como país que investe, apoia e cria políticas de apoio a educação. Nunca fomos tão míopes e limitados, nunca fomos tão mal vistos por nós mesmo e pelo mundo. Somos bregas.

            Por algum tempo me senti um peixe fora d’agua, confesso que as vezes ainda me vejo assim, mas na insistência de ser resistência prefiro me perceber como a maré e não como peixe. Estou na contramão do que o governo entende como coerente com seu “plano de governo”, sou a corporificação de quase tudo que eles abominam e querem exterminar – nordestina, mulher, professora, pesquisadora.

           Hoje é um dia especial e importante para mim. No dia do professor entreguei minha tese de doutorado, momento oportuno para rememorar o percurso. Retomo um pouco dos meus escritos do item Agradecimentos para, orgulhosa, sentir pela trajetória, marcar o valor imensurável de ser estudante e pesquisadora! Para lembrar o valor das minhas escolhas. SOU PROFESSORA, SOU CIENTISTA DO TURISMO!

 

“As grandes paixões preparam-se em grandes devaneios”

Gaston Bachelard

           

Como um retorno ao passado e, ao mesmo tempo, momento em que respiro profundamente, me permito retornar afetivamente a Cancun, lugar de ternura, saudades e gratidão. Foi nesta cidade icônica e turística que, aos 15 anos, decidi que estudaria e construiria minha carreira no turismo. Vinte anos separam minha primeira visita como turista e meu retorno como pesquisadora doutoranda em 2018. Percorro mentalmente minha formação acadêmica, minha atuação profissional e vida pessoal, com emoção. Percebo que sempre fui fiel e me dediquei com esmero aos meus sonhos que, agora, com a face mais amadurecida e as experiências de todas as ordens que vivenciei ao longo dessa trajetória, me possibilitam múltiplos reconhecimentos.

Para além das obras diurnas de Bachelard, iniciei pequenas incursões no mundo noturno desse filósofo pelo qual fui “fisgada”. Suas obras poéticas estimularam o desencadear de meu imaginário criativo, devaneios felizes que me encaminharam, já durante o doutorado, ao compartilhamento com ideias e sentimentos do autor, com os dilemas entre razão e imaginação. Leitura que me levou, em várias ocasiões, a perguntar como convergir a imaginação racional do sujeito diurno com a imaginação criadora da Marcela noturna, como unir e desbravar os meus mundos interior e exterior.

Entre grandes paixões e devaneios pelo/por turismo, marco uma trajetória de abandonos, conquistas, lágrimas e sorrisos com/entre pessoas, instituições e lugares infinitamente especiais – pelo que tenho a agradecer. 

 

          Reconheço meu lugar de privilégios, também, reconheço minha determinação e garra de fazer jus a tudo aquilo pelo qual meus pais batalharam para que eu pudesse estudar e ser alguém. Escolhi ser professora sonhando em ajudar outras pessoas a reconhecer o privilégio de sentir-se consciente de seus dias e ações cotidianamente, com clareza. Gratidão as políticas sociais, as bolsas de estudo que conquistei, as pessoas que brigaram e morrem para que alguns de nós possam sentir isso que estou sentindo, felicidade pelas conquistas. Gratidão me define!

      Desculpem os de extrema direita, mas é pela “PORRA” da educação, pela “PORRA” dos alunos, pela “PORRA” do futuro dos meus filhos que brigo e me engajo. RESPEITEM os professores e pesquisadores.

 

 Foto: Marcela Ferreira Marinho

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now