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Tempo de Colher

Algumas vezes passamos por momentos de recolhimento físico e emocional. São pequenos movimento importantes para a autoanálise, conhecimento e crescimento. Cuidar de nós deveria ser uma máxima e uma constante, olhar para dentro! Mas alguns de nós não estão acostumados com contemplações mais cuidadosos da própria intimidade. Da ordem do pessoal, do individual e não na espetacularização do vivido, muitas vezes sou questionada por que em alguns momentos fico introspectiva ou “triste”. Na verdade, meu sorriso nunca se desfaz! Quem está presente na intimidade sabe que mesmo chorando tenho um sorriso nos lábios, que a positividade é um devir para mim. Entretanto, nos últimos tempos tenho gostado do recolhimento e dos cuidados com o que sinto e como me sinto, em relação ao vivido, assim como tenho apreciado escrever sobre as coisas que a vida me impulsiona pelo caminho.


Após 2 meses de pé quebrado, o cenário pedia alguns dias de recolhimento e reflexão. Muitas coisas aconteceram e ainda estão acontecendo. Foram oito semanas de aprendizados, de tantas ordens e dimensões que não saberia explicar ao certo o que aconteceu comigo. De certo os agradecimentos são inúmeros: Mainha, painho, Flavinho, Renata, Gregório, Isabel, Vanessa, Verônica, Débora, Carlos, Hugo, Pedro, Angélica, Jaime, Mariana, João, Clarisse são os anjos mais próximos. Cada um do seu jeito, de alguma forma, transformaram minhas aprendizagens, meus dias de solidão, em um lindo mosaico de recordações. Para mim, uma mulher extremamente ativa e independente, muitos foram os aprendizados...


O primeiro deles é que não há nada de mal aprender a pedir ajuda! A humildade de se saber dependente de outra pessoa não é nada vergonhoso. Vivi na pele minha condição humana mais frágil! Permitir que alguém cuidasse de mim foi difícil, mas compreendi que cresci e estou crescendo quando deixo que me cuidem. Em tempos de "gritos" de independência ou morte, prefiro a "morte" a ficar fadada ao isolamento e a incapacidade de compreender que mais vale o companheirismo e a amorosidade, que o gasto de energia com a necessidade de mostrar ao mundo que somos fortes e não precisamos de nada e nem de ninguém!


O segundo foi a capacidade de ser frágil e de saber "cair". Desistir é uma das coisas mais fáceis de conseguir! Ser negativo, reclamar, chorar e ficar pelos cantos. Tenho que admitir que em alguns momentos senti tudo isso, mas há uma diferença entre desistir e ser frágil, deixar o corpo descansar um pouco. Há um impulso ou pulsação em mim que sempre me levanta! Lembrava dos aprendizados na terapia com Leda, “você está frágil, diferente de ser fraca”. Muitas vezes lembrava de meu pai; preso ao corpo, aos seus pensamentos e desejos; quando não podia mexer o corpo. Ficar “presa” ao meu quarto me fez valorizar o sol azul que aparecia pela manhã, o prédio histórico que ficava em frente ao meu quarto, o som da porta e do salto da Isabel entrando em casa, aos banhos quentes ou frios, ao sol que entrava a tarde, ou mesmo as visitas de Renata e de Verônica para verificar como eu estava, ou para me ajudar com alguma coisa.


Muitas mensagens de apoio a distância de mainha, de painho e de Flavinho, Rafael, Davily, Mana déia, cunhado Evandro, mana Dani, mama Lu, mano Keo, mano Atton. Prof. Isabel, Prof. Marcia, Prof. Köche, Rezinha, Helena, Jéssica, Eduardo, Luana, Manas Simone, Simone, Estela (e Eduardo), Natália. (Se esqueci de alguém peço perdão)


O terceiro foi compreender que quem ama cuida e quem ama se deixa cuidar. Essa é uma parte delicada e pesada para mim! Eu cuido, eu faço, eu movo, eu, eu, eu. Quando as coisas acontecem comigo ou saem do meu controle tenho a tendência de me afastar, para não incomodar ou não permitir que me cuidem. Aprendi que muitas pessoas gostam de mim, me amam da forma que sou, na condição que estou. Isso me emociona e me arranca algumas lágrimas. SOU AMADA! Por isso, hoje me deixo ser cuidada e não fujo disso (Quanto carinho!).


O quarto, e para mim o maior deles, aprendi que há um tempo em mim! Tenho meu próprio tempo para tudo! Sou única, sou intensa, sou linda ao meu jeito, sou forte, feliz, triste, sou cor, sou quente, sou leveza, sou sabor e dessabor, sou alegria, sou lágrima, sou amorosidade, sou afeto, sou carinho, sou companheira, sou simples e complexa, sou respeitosa. Tenho um sorriso lindo, luz própria e sou inteligente! Modéstia se escondia por trás de uma “Marcela” que se sentia limitada pela sensação de não se conhecer... Hoje me empodero e afirmo no íntimo cada uma dessas características e tantas outras que afloram aos meus olhos, inclusive as que não gosto (essas eu prefiro deixar a sombra do meu “eu” e de tempos em tempos vou resgatando cada uma em momentos de autoanálise).


Então, é tempo de colheita! Colheitas de mim, das experiências, das expectativas e das vivências em Portugal. A vida se movendo em mim e eu em meio a ela, cheia de gratidão e como numa ciranda me sinto a dançar, a rodopiar por entre cada momento.


Colheita de mim!

Colheita de mim!

Que as aprendizagens, os desejos e as belezas em mim aflorem

Em forma de Gratidão!


Fonte da imagem: Marcela Ferreira Marinho

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